sábado, 24 de junho de 2017

24.06.2017 - DIA DE SÃO JOÃO

24.06.2017
DIA DE SÃO JOÃO, SÃO JOÃO CHOROU


(MAS, VAI CASTIGAR, LADRÕES DO DINHEIRO PUBLICO, QUE VÃO MORRER DE AIDS, SÍFILIS, HEPATITE C, CÂNCER, TERÃO AVC, FICARÃO ALEIJADOS, E MUITOS SERÃO PRESOS E CAIRÃO NA DESGRAÇA E NAMISÉRIA.)




BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)






24.06.2017
DIA DE SÃO JOÃO, SÃO JOÃO CHOROU



Em seu DIA, SÃO JOÃO, 24.06.2017, não acordou a cidade de Macapá, com fogos de artifícios, a cidade foi acordada, com trovoadas, raios e muita chuva.

SÃO JOÃO, CHOROU! E VAI CONTINUAR A CHORAR EM SEU DIA, NOS PROXIMOS ANOS...

Pelo descaso das autoridades com a história, e com seu POVO.
Pelo abandono da cidade,
Pela destruição de seu meio ambiente, e o desaparecimento de áreas de RESSACA, como o POÇO DO MATO DO BAIRRO DO LAGUINHO!

São João CHORA,
Pela FOSSA no Rio Amazonas,
Pela sujeira dos canais,
Pela falta de remédios nos Hospitais (HE, HCAL, PAI...)
Pela CORRUPÇÃO das autoridades
Que mesmo condenadas, vão para suas casas, fazerem seus churrascos dominicais.
SÃO JOÃO CHORA! E vai continuar CHORANDO!
Não só no seu DIA, mas no dia de TODOS OS SANTOS.
Por TODOS OS DOENTES DE CANCER, que sem remédios e sem alternativa, vivem ESMOLANDO nas esquinas da cidade, com seus bingos e rifas.
São JOÃO CHORA, pelos MORTOS que vem em caixões de muito longe. Porque não fizeram investimentos por aqui na área da saúde.

No dia de SÃO JOÃO, 24.06.2017
Macapá-AMAPÁ, acordou NEGRA.
Negra das nuvens de chuva,
Negra das fossas de ESGOTO, espalhadas por toda a cidade,
Negra do descaso,
Negra do abandono,
Negra com restos de suas vias sem ASFALTO.
 E sem opção de caminhada por seus pedestres que vão para o meio das ruas em busca de um espaço para caminhar, correndo o risco de serem mortos.

NEGRA DE UMA FUMAÇA TOXICA, CORRUPTA E DIABOLICA das drogas sintéticas que chegaram por aqui.
SÃO JOÃO CHORA, pela fumaça do SKANK, do crack, e da sujeira da CRACOLANDIA em frente à sede da OAB-Ap.

Em seu DIA, SÃO JOÃO, nem quer balões, fogueira, doces...
SÃO JOÃO NEM QUER REZA,

SÃO JOÃO, NEM QUER DEMAGOGIA COM SUA IMAGEM.
São João nem quer MINGAU, curau, canjica, bandeirinhas...


SÃO JOÃO SÓ QUER PAZ.
Mas, ela não virá.
Virão ainda outros São Joãos.
SERÁ?
Talvez amanhã (   ) nem haja mais SÃO JOÃO.
SÃO JOÃO, nem tem mais forró,
Só sertanejo,
Nem tem boi bumbá
Nem tem os cordões,
E nem tem música para cantar,

SÓ LAMENTO E GRITOS A ECOAR.



 ORAÇÃO DE SÃO JOÃO BATISTA

Reze com muita fé durante todo o mês de junho, em especial no dia 24 e no dia 29:
“Ó, glorioso São João Batista, príncipe dos profetas, precursor do divino redentor, primogênito da graça de Jesus e da intercessão de sua santíssima mãe, que fostes grande diante do Senhor, pelos estupendos dons da graça de que fostes maravilhosamente enriquecido desde o ceio materno, e por vossas admiráveis virtudes, alcançai-me de Jesus, ardentemente vos suplico, que me dê a graça de o amar e servir com extremado afeto e dedicação até a morte. Alcançai-me também, meu excelso protetor, singular devoção a Virgem Maria Santíssima, que por amor de vós foi com pressa à casa de vossa mãe Isabel, para serdes livre do pecado original e cheio dos dons do Espírito Santo. Se me conseguirdes estas duas graças, como muito espero de vossa grande bondade e poderoso valimento, estou certa de que, amando até a morte a Jesus e a Maria, salvarei minha alma e no céu convosco e com todos os anjos e santos amarei e louvarei a Jesus e a Maria entre gozos e delícias eternas.
Amém.”

ORAÇÃO DE SÃO JOÃO BATISTA PARA O DIA 24 DE JUNHO

“São João Batista, voz que clama no deserto: ‘Endireitai os caminhos do Senhor… fazei penitência, porque no meio de vós está quem vós não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo.
São João, pregador da penitência, rogai por nós.
São João, precursor do Messias, rogai por nós.
São João, alegria do povo, rogai por nós.

Amém.”

quinta-feira, 22 de junho de 2017

PIONEIROS DO AMAPÁ- FOTOS DE NECA MACHADO

CRONICAS DA NECA MACHADO

CRONICAS URBANAS DA NECA MACHADO

A MEGALOMANA DO ESGOTO
(Qualquer semelhança, é mera coincidência.)

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)

A MEGALOMANA DO ESGOTO
(Qualquer semelhança, é mera coincidência.)

No catre fétido do ESGOTO que ela aportou, saída da podridão, não mudou de classe social, apenas de endereço, mas, sua essência MEGALOMANA, não desapareceu, onde ia, brigava, vociferava, reclamava do outrem, mesmo na miséria e na esmola. Vivia de esmolas, sem trabalho, sem futuro.
Sua fascinação pelo inatingível continuou, vociferava aos berros em uma voz inaudível e gutural, estridente e insuportável, seus devaneios. Nunca atravessou o Atlântico sequer em pontes imaginarias para desaguar suas utopias.
Desaguava no ESGOTO sobre seu catre fétido, seus devaneios e narcisismos.
Sem saber de seus transtornos mentais até poderia ser curada se procurasse um profissional competente para trata-la, mas, jamais admitiria sofrer deMEGALOMANIA.
 Suas obsessões e manias pelo exagero, beiravam ao surrealismo em uma pintura semiacabada talvez somente em seus Sonhos do pobre DALI.
Sua combinação entre devaneios, imaginação, irrealidade, em seu subconsciente talvez, fosse uma bomba a explodir em uma aquarela pintada com sangue de seus sofrimentos. Mas, ela jamais admitiria ser uma doente mental, com seus transtornos cada vez mais visíveis e latentes.
Seus ímpetos e impulsos despejados no ESGOTO, talvez um dia fossemparados, literalmente em uma vara criminal de uma justiça por seus atos impensados, na condenação real de seus CRIMES.
Crimes em todas as esferas, da negligencia ocasionada a MORTE, até um racismo velado saído de sua boca podre.
Enxergava o mundo ao seu redor, como seu próprio mundo, cheio de imperfeições, cheio de lacunas e de insetos, muitos deles em seu espaço capilar onde fizeram moradas e deixaram suas sequelas em sua mente, seusPiolhos cresceram e se multiplicaram.
No ESGOTO, seu exagero ganhou nome de MEGALOMANIA.
Seus sintomas cada vez mais visíveis, afastaram os mais próximos.
“E ela fatalmente iria sucumbir aos seus erros. “
Talvez ainda no fundo de sua alma podre, restasse um veio de esperança num novo amanhecer.
Para sua doença mental, não havia remédio, mas, sim, acompanhamento de um profissional da área onde ele pudesse lhe mostrar a verdadeira face de sua doença. Sim, ela era um doente terminal, não tão jovem, não tão bela, não tão culta, perdeu seu tempo, sentada na beira do catre pobre, a espreitar o cheiro fétido do ESGOTO das fezes depositadas ao relento ao seu redor, a tentar limpar de suas unhas, um lixo que jamais sairia, foi impregnado até sobre as unhas.
Um banco de escola, ou até uma universidade lhe fariam caminhar para maislonge, até uma aposentadoria por uma labuta merecida. Mas o tempo, nem ele, era seu parceiro, ela já estava a meia idade. Mas sobreviveria de migalhas, migalhas alimentares, migalhas, migalhas.... Rastejantes como ela.
Seus delírios, há seus delírios!
Precisariam ser parados, para ela não cometer MAIS CRIMES. Precisaria ser levada às pressas a uma Vara criminal.
Talvez até se sentisse uma adepta de Napoleão Bonaparte, tão MEGALOMANOquanto ela, mas, será que ela conhecia Napoleão?
Será que ela tinha visto alguma obra de Salvador Dali? Para se sentir parte da tela?
E se um dia atravessasse por um milagre a tal ponte entre a Amazônia e a Europa (Oiapoque) e aportasse em Paris, ela morreria de ver as famosas vitrines do centro da capital Luz mundial, com seus modelos fantásticos saídos do designer de estilistas famosos, e aí, seus DELIRIOS se realizariam, ela iria seIMAGINAR segurando uma bolsa Hermés, vestindo um casaco da estação, uma bota de couro original, uma joia, um perfume....
Mas sem dinheiro suado, ganho com seu trabalho, ela jamais conseguiria, não tinha trabalho. Perdeu tempo, e o tempo perdido, não voltaria mais.
Talvez até se prostituísse, para comprar apenas um pobre vestido, mas, seu corpo, não valia NADA, não tinha mais o viço da idade, nem a beleza competitiva de novas prostitutas da Rússia que eram as donas do pedaço, lindas e belas realmente, feitas bonecas de porcelana.
Para os SURREALISTAS como Magritte e para as famosas analises de Freud,ela serviria como parte de estudo para futuras novas incursões em suas artes, seria tema de uma obra inacabada pintada com seu próprio sangue, contaminado, inservível até para uma doação de urgência.
Sua patologia não estava inscrita no CID, estava grafada na alma. Com seus exageros e imperfeições, sua fascinação era somente parte do seu EU, ecoando nos caminhos rastejantes do ESGOTO.
Seus atos impensados, eram a força presente de um exagero que não foi contido.

E sua MEGALOMANIA continuará no ESGOTO, rastejante, contaminado e inservível.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

CRONICA- A LAMA E O LIXO!

·         CRONICAS URBANAS DA NECA MACHADO
A LAMA E O LIXO!



BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)

·         A LAMA E O LIXO!

Um elo, uma simbiose singular.
Na LAMA, o LIXO se integrou, não se desintegrou, não serve para reciclagem nem para húmus, o LIXO, tornou-se podridão.
O cheiro fétido do LIXO apodrecido, impregnando narinas, traz com ele doenças maléficas que destroem, mutilam, e fazem morada na LAMA, contaminando o ar, antes puro e natural, além do lençol freático.
A LAMA da fossa formada no meio da via, virou deposito de vermes e receptáculo para BACTERIAS, QUE destruirão o LIXO, inservível até para os húmus.
Pobre LAMA, pobre LIXO!
Um elo, uma simbiose!

·         Na natureza muitos LIXOS, tornam-se resíduos sólidos passiveis de reciclagem, mas, na natureza HUMANA, muitos LIXOS, alguns deles humanos, nem servem para LAMA.
Com suas PODRIDÕES, fétidas, contaminam a sociedade com suas megalomanias utópicas, e nunca sairão da verdadeira LAMA que é sua rotina,sem crescimento moral, material ou espiritual, continuarão LIXO, até o tumulo, e mesmo após sucumbirem em suas insignificâncias não servirão nem para o tal sal da Terra, nem para alimento de VERMES, que sabe distinguir a verdadeira essência de um alimento, mesmo sendo um VERME.
E será sempre um LIXO não reciclável, mesmo após sua deterioração.

LAMA E LIXO, SIMBIOSE PERFEITA!


domingo, 18 de junho de 2017

UMA CRONICA PARA LAURA- A MENINA E A TECNOLOGIA

NECA MACHADO ESCREVE CONTOS QUE ENCANTAM

Parte - 04

“CONTOS DA AMAZÔNIA QUE ENCANTAM...”



CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju

·        A MULHER DA CATRAIA

BIOGRAFIA
Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)


             E demonstrando sinais de cansaço, a velha Pioneira disse: vou te contar mais uma: Lembra da Mulher da Catraia?
E a cabeça do ouvinte voltou a balançar com o sinal de NÃO!
Sim! Ela era uma bela Mulher, nasceu no entorno do Igarapé das Mulheres, pegava agua no Poço do Mato, gostava das quitandas, e gostava muito de cetim, foi iludida por outra falsa amiga, que já tinha ido a Caiena e fazia a vida por lá, trazendo uns francos de vezes em quando.
Sem que a família soubesse, ela arrumou uns pedaços de pano, para que ninguém notasse sua falta, beijou os filhos que ficaram, ainda olhou muito para eles porque no pensamento disse que voltaria com muito dinheiro, era bonita, uma bela morena com seios bem duros, pernas grossas, era alta, nem queria mais olhar para trás, só pensava no futuro.
A viagem até o Oiapoque foi terrível, era época de chuva, os carros atolavam na lama, e ela até se arrependeu da aventura, mas, como já estava no meio do caminho, resolveu que não ia voltar.
Chegando no Oiapoque, sem conhecer ninguém, falou com um catraieiro que queria ir para Caiena que tinha umas colegas por lá que iam lhe ajudar.
O homem cego de ganancia pelo pouco dinheiro que ela tinha, disse, está chovendo, vamos tentar, porque agora tem pouco polícia.
E ela só pensava nos belos vestidos de cetim que ia comprar quando tivesse dinheiro, gostava dos perfumes franceses, parece que o cheiro de um deles impregnou em seu nariz, que não saiu mais, e ela sorriu.
 A chuva começou fina, a catraia balançava feito papel, as ondas a queriam engolir, e ela segurava com força seus pedaços de pano, até se aventurou a rezar.
Foi quando uma onda mais forte, virou a catraia e os levou para o fundo do mar.
Seu corpo nunca foi encontrado.
Sua família soube da catraia alagada por alguns pescadores que a trouxeram de volta com alguns pedaços de pano que boiaram nas aguas “malditas” como dizia um caboco na beira do rio.
A bela Morena que queria somente ganhar uns francos, nunca mais voltou.
Pescadores ainda se aventuram a procurar seu corpo.
Dizem que foi comido por tubarão.
Outros dizem que ela virou estrela.
Mas muitos, muitos mesmo, afirmou com convicção, sua marca registrada que ELA, mora na Pedra do Guindaste, que fica em noite de Lua cheia vestida de cetim, esperando seus clientes estrangeiros que passam por Macapá.
Cruz credo!
Quando ver uma bela Morena, cuidado, ela gosta de fazer ponto na frente do Hotel.

sábado, 17 de junho de 2017

NECA MACHADO

CONTOS QUE ENCANTAM

PARTE 01




“CONTOS QUE ENCANTAM...”

CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)








CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

Imponente sobre a Pedra do Guindaste que desabrocha no leito do Rio Amazonas em frente a cidade de Macapá no estado do Amapá, a bela imagem de São José, esculpida pelo português Antônio Pereira da Costa, é a mais presente testemunha de que há um mundo invisível ao seu redor.
A Pioneira já próximo de seu centenário querendo como que abrir sua caixa de memorias, resolveu encantar seus ouvintes privilegiados com suas estórias sabiamente eternizadas por décadas em um livro escrito com pensamentos. Começou dizendo que o Santo angustiado com a cidade, não queria olha-la de frente, ficou décadas de costa para Macapá, depois de muitas estórias, segundo ela, ele foi virado e está de lado para contemplar a saudade do belo Igarapé das Mulheres, nem de frente, nem de costa, de lado, repetia ela com seu sorriso enigmático.
E continuou!
Só ele, apontava para São José, só ele; conhece os verdadeiros segredos daPedra do Guindaste.
Ele sabe que a criança jogada ao Rio pela Mãe em um momento de depressão pós-parto, e que nunca foi encontrada pelas autoridades, vaga em noite de lua, brinca de peteca ao lado da pedra, empina papagaio ao amanhecer, mas, gosta também de encantar os Botos com sua canção infantil, talvez, segundo ela um dia vire Boto de verdade. Mas, muitos pescadores já o espantaram da proa de suas canoas, ele sempre gosta de aparecer sem ser convidado, quando um pescador faz um fogo para muquiar um peixe, parece que ele vem também querer um pedaço. E continuou: A Mulher da Lua, você lembra da Mulher da Lua? E o ouvinte sacudiu a cabeça que não. A Mulher da Lua só aparece em noite de Lua cheia, surge como por encanto saída das nuvens e desagua na Pedra do Guindaste, diz ela que já encantou muito pescador, vem vestida de prata como escamas de Pirarucu, tem um batom na boca tão forte que parece a cor do urucum, encanta, repetia ela, já deixou até homens loucos que foram parar no hospital de psiquiatria, lembra? E questionou, fite a Lua em noite de Lua cheia que o rosto dela está lá, se você tiver sorte, ela vai sorrir para você, mas se tiver de azar ela vai te assustar, cuidado, é um aviso, repetiu.
E o ouvinte sacudia a cabeça que não.
E continuou:


Lembra do Homem sem pernas?
E a cabeça do ouvinte de novo balançava fazendo um sinal de não.
Me lembro, falou ela entre um suspiro profundo, que parece que, quando foi achado numa manhã de segunda feira, por carregadores de açaí, os peixes já tinham comido suas pernas, só veio o toco, disse ela, ainda tinha um pedaço de osso de fora. Cruz credo, se benzeu.
Minha comadre lembra que quando foi colocado próximo do trapiche, parece que um grito saiu de sua garganta, mas ele também vive na Pedra do Guindaste,afirmou. Só São José sabe de suas traquinagens, e ele não gosta de velas não, dizem que um dia fizeram um despacho na pedra, e de manhã ele parece que não gostou apareceu para os que ficaram, corria atrás dos que não conseguiram disparar na carreira, e deixou muito caboco de cabelo em pé, ao vê-lo correr sobre a lama de madrugada sem pernas, dando cambalhotas no ar, Cuidado, sentenciou, cuidado.
Tu lembras do Índio? E ele (ouvinte) de novo com a cabeça em sinal de não.
Dizem que ele veio do meio da floresta, e sem conhecer ninguém por aqui, resolveu fazer amizade com uns cachaceiros e depois de muita bebedeira correu para o Rio Amazonas, se afogou e morreu, mas, volta, ele volta sim: disse com convicção, dizem que gosta de dançar ao redor da Pedra do Guindaste, gosta muito de chuva, e quando tem um vendaval ele aparece no meio da tempestade.


E da Mulher da Vida? Sim, ela dava vida aos pobres que a procuravam, fazia os felizes em suas fantasias, lembro que depois de uma noite de prazer, próximo do canal onde tinha uns puteiros, lembra? E o ouvinte já cansado de tanto balançar a cabeça e talvez até com medo, repetia que não. Voltando: depois da noite de farra o cliente não quis pagar, e ela tinha uma Gilette, lembra? Com muita coragem, cortou a cara dele, mas, ele, muito brabo, deu tanto nela que ela foi encontrada morta sem roupa na beira do rio, seus olhos pareciam um buraco sem fim, seus cabelos negros, lindos lembra ela, faziam parte da maré, num vai e vem, quando seu corpo ficou à espera da polícia, dizem que ela anda por aí, gosta de rodear aPedra do Guindaste.


E dos Bois? Lembra?
E de novo sua cabeça dizia que não.
Olha vou te recordar, lá para as bandas do Elesbão tinha o matadouro, lembra?
Mataram tanto boi, que parece que alguns deles tinham vida.
Tem dias que eles voltam e ficam pastando na lama ao lado da Pedra do Guindaste, cuidado, cuidado.
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju













PARTE 02
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)







CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

·         E a velha Pioneira se espreguiçando toda, puxava na memória seu arquivo de estórias mitológicas, da encantadora Pedra do Guindaste do leito do Rio Amazonas na frente da cidade de Macapá-Amapá.
E voltou a desafiar: tu lembras do hospede do Hotel? E o ouvinte de novo a balançar a cabeça com o sinal de não.
E iniciou assim:
Era uma noite de festa, daquelas que só Macapá sabia dar, mordeu o beiço, hum!
Bons tempos, e continuou: a festa tão animada, acho que tinha um nome de estrangeiro, muita fruta sobre uma mesa central, e o ouvinte disse: não era o baile do Hawai?
Sim, sim, era esse mesmo nome.
O tal homem bebeu demais, passou da conta, começou a irritar outros convidados, e colocaram ele para fora.
Parece que desnorteado disse que ia urinar ali,
Foi e nunca mais voltou vivo
Voltou no outro dia, dentro do camburão da polícia técnica, sem olhos, sem as pontas dos dedos, sem roupas e desconhecido, dizem que os “tralhotos” comeram seus olhos.
 Eu não gosto desses peixes, até entram por aí e não saem mais do corpo da gente... Égua!
E soube de mais tarde, muito tarde, que ele aparece nas escadarias do hotel querendo buscar sua mala, dizem que mora na Pedra do Guindaste.

·         E cutucou no ouvinte, e da mulher queimada? Hum!
O incêndio que devastou parte das Docas de Macapá, além de muito prejuízo aos empresários da época, também fez vítimas fatais.
Em um dos quartos uma bela mulher vinda das ilhas do Pará, com seus cabelos dourados, o povo diz que era gringa era linda, o povo falava, não conseguiu sair das labaredas, seu corpo em chama foi consumido pelo fogo, e ela ainda teve forças de correr seminua para as bandas da Fortaleza.
Minha comadre diz que foi no enterro, deu muita gente, mas ela estava toda inchada,
Credo,
 Como a gente fica depois de morta repetiu.
Escutei muito tempo depois que ela voltou.
Mora agora ao redor da Pedra do Guindaste.
Dizem que já apareceu para muito pescador, dizem que corre sobre as ondas com um véu de fogo, e some feito um raio ao anoitecer.
Cruz credo!












“CONTOS QUE ENCANTAM...”


CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju


O MERGULHÃO FANTASMA.

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)
A Velha Pioneira balançava a cabeça como a buscar na memória, seu arquivo especial.
E com seu sorriso enigmático lembrou do Pássaro fantasma. O belo Mergulhãoabençoado por São José, dizia ela entre os dentes.
A maré teimava em bater nas pedras que circundavam a Pedra central, a doGuindaste, disse ela: que as versões contadas por seus antepassados, tinham contradições, disse que em uma delas, a Pedra foi cortada ao meio por um navio estrangeiro, em outra afirmou convicta que a Cobra Sofia, saiu de Santana, um município próximo de Macapá, e se apaixonou pelo santo e não foi correspondida que se enlaçou na pedra e a derrubou, noutra disse que um grande Pirarucujunto com um cardume de peixes bateram tanto na pedra que ela foi derrubada...
Enfim tem milhares de versões que cabe a cada um aceitar, resmungou.
E a Pedra do Guindaste continua imponente tendo ao topo o belo São Joséesculpido pelo português Antônio Pereira Costa.
Mas vamos lá repetiu, não tô demente.
Era uma bela noite de Lua cheia, o trapiche feito uma rua, e a imagem da Lua refletida sobre as aguas do Rio Amazonas, trouxe o maior, o mais belo e o mais inteligente dos Pássaros que conheci, disse ela.
UM MERGULHÃO DO ALEM!
Pescadores que atravessavam a maré se espantaram com o voo rasante do talMERGULHÃO, ele nem se parecia com um Mergulhão disse ela, de tão rápido, voava sobre as canoas que vinham para o Igarapé das Mulheres, as vezes descansava no braço do santo padroeiro da cidade de Macapá, em outras, ele mergulhava de bico no rio, e aparecia no espelho da Lua.
Égua disse ela.
E foi assim a madrugada toda.
Ele nem era preto, era de prata, as vezes reluzia tanto que dizem que era de ouro.
Sabe?
Tem muita gente que lembra dele.
Dizem que carregava nas costas o menino afogado,
Em outras estórias, dizem, repetiu, que ele puxava uma corda trazendo um defunto largado por aí, noutra ele vinha com a sereia, ela nas aguas e ele no céu...
Mas que ele apareceu, apareceu, repetiu.
Cruz credo.
De manhã, ainda tem um monte que é da sua família por ai.

(Pelas manhas na orla de Macapá-Amapá, centenas de Mergulhõesbuscam alimento no leito do Rio Amazonas, talvez apareça outroMergulhão fantasma por aí.)