sábado, 17 de junho de 2017

NECA MACHADO

CONTOS QUE ENCANTAM

PARTE 01




“CONTOS QUE ENCANTAM...”

CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)








CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

Imponente sobre a Pedra do Guindaste que desabrocha no leito do Rio Amazonas em frente a cidade de Macapá no estado do Amapá, a bela imagem de São José, esculpida pelo português Antônio Pereira da Costa, é a mais presente testemunha de que há um mundo invisível ao seu redor.
A Pioneira já próximo de seu centenário querendo como que abrir sua caixa de memorias, resolveu encantar seus ouvintes privilegiados com suas estórias sabiamente eternizadas por décadas em um livro escrito com pensamentos. Começou dizendo que o Santo angustiado com a cidade, não queria olha-la de frente, ficou décadas de costa para Macapá, depois de muitas estórias, segundo ela, ele foi virado e está de lado para contemplar a saudade do belo Igarapé das Mulheres, nem de frente, nem de costa, de lado, repetia ela com seu sorriso enigmático.
E continuou!
Só ele, apontava para São José, só ele; conhece os verdadeiros segredos daPedra do Guindaste.
Ele sabe que a criança jogada ao Rio pela Mãe em um momento de depressão pós-parto, e que nunca foi encontrada pelas autoridades, vaga em noite de lua, brinca de peteca ao lado da pedra, empina papagaio ao amanhecer, mas, gosta também de encantar os Botos com sua canção infantil, talvez, segundo ela um dia vire Boto de verdade. Mas, muitos pescadores já o espantaram da proa de suas canoas, ele sempre gosta de aparecer sem ser convidado, quando um pescador faz um fogo para muquiar um peixe, parece que ele vem também querer um pedaço. E continuou: A Mulher da Lua, você lembra da Mulher da Lua? E o ouvinte sacudiu a cabeça que não. A Mulher da Lua só aparece em noite de Lua cheia, surge como por encanto saída das nuvens e desagua na Pedra do Guindaste, diz ela que já encantou muito pescador, vem vestida de prata como escamas de Pirarucu, tem um batom na boca tão forte que parece a cor do urucum, encanta, repetia ela, já deixou até homens loucos que foram parar no hospital de psiquiatria, lembra? E questionou, fite a Lua em noite de Lua cheia que o rosto dela está lá, se você tiver sorte, ela vai sorrir para você, mas se tiver de azar ela vai te assustar, cuidado, é um aviso, repetiu.
E o ouvinte sacudia a cabeça que não.
E continuou:


Lembra do Homem sem pernas?
E a cabeça do ouvinte de novo balançava fazendo um sinal de não.
Me lembro, falou ela entre um suspiro profundo, que parece que, quando foi achado numa manhã de segunda feira, por carregadores de açaí, os peixes já tinham comido suas pernas, só veio o toco, disse ela, ainda tinha um pedaço de osso de fora. Cruz credo, se benzeu.
Minha comadre lembra que quando foi colocado próximo do trapiche, parece que um grito saiu de sua garganta, mas ele também vive na Pedra do Guindaste,afirmou. Só São José sabe de suas traquinagens, e ele não gosta de velas não, dizem que um dia fizeram um despacho na pedra, e de manhã ele parece que não gostou apareceu para os que ficaram, corria atrás dos que não conseguiram disparar na carreira, e deixou muito caboco de cabelo em pé, ao vê-lo correr sobre a lama de madrugada sem pernas, dando cambalhotas no ar, Cuidado, sentenciou, cuidado.
Tu lembras do Índio? E ele (ouvinte) de novo com a cabeça em sinal de não.
Dizem que ele veio do meio da floresta, e sem conhecer ninguém por aqui, resolveu fazer amizade com uns cachaceiros e depois de muita bebedeira correu para o Rio Amazonas, se afogou e morreu, mas, volta, ele volta sim: disse com convicção, dizem que gosta de dançar ao redor da Pedra do Guindaste, gosta muito de chuva, e quando tem um vendaval ele aparece no meio da tempestade.


E da Mulher da Vida? Sim, ela dava vida aos pobres que a procuravam, fazia os felizes em suas fantasias, lembro que depois de uma noite de prazer, próximo do canal onde tinha uns puteiros, lembra? E o ouvinte já cansado de tanto balançar a cabeça e talvez até com medo, repetia que não. Voltando: depois da noite de farra o cliente não quis pagar, e ela tinha uma Gilette, lembra? Com muita coragem, cortou a cara dele, mas, ele, muito brabo, deu tanto nela que ela foi encontrada morta sem roupa na beira do rio, seus olhos pareciam um buraco sem fim, seus cabelos negros, lindos lembra ela, faziam parte da maré, num vai e vem, quando seu corpo ficou à espera da polícia, dizem que ela anda por aí, gosta de rodear aPedra do Guindaste.


E dos Bois? Lembra?
E de novo sua cabeça dizia que não.
Olha vou te recordar, lá para as bandas do Elesbão tinha o matadouro, lembra?
Mataram tanto boi, que parece que alguns deles tinham vida.
Tem dias que eles voltam e ficam pastando na lama ao lado da Pedra do Guindaste, cuidado, cuidado.
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju













PARTE 02
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)







CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

·         E a velha Pioneira se espreguiçando toda, puxava na memória seu arquivo de estórias mitológicas, da encantadora Pedra do Guindaste do leito do Rio Amazonas na frente da cidade de Macapá-Amapá.
E voltou a desafiar: tu lembras do hospede do Hotel? E o ouvinte de novo a balançar a cabeça com o sinal de não.
E iniciou assim:
Era uma noite de festa, daquelas que só Macapá sabia dar, mordeu o beiço, hum!
Bons tempos, e continuou: a festa tão animada, acho que tinha um nome de estrangeiro, muita fruta sobre uma mesa central, e o ouvinte disse: não era o baile do Hawai?
Sim, sim, era esse mesmo nome.
O tal homem bebeu demais, passou da conta, começou a irritar outros convidados, e colocaram ele para fora.
Parece que desnorteado disse que ia urinar ali,
Foi e nunca mais voltou vivo
Voltou no outro dia, dentro do camburão da polícia técnica, sem olhos, sem as pontas dos dedos, sem roupas e desconhecido, dizem que os “tralhotos” comeram seus olhos.
 Eu não gosto desses peixes, até entram por aí e não saem mais do corpo da gente... Égua!
E soube de mais tarde, muito tarde, que ele aparece nas escadarias do hotel querendo buscar sua mala, dizem que mora na Pedra do Guindaste.

·         E cutucou no ouvinte, e da mulher queimada? Hum!
O incêndio que devastou parte das Docas de Macapá, além de muito prejuízo aos empresários da época, também fez vítimas fatais.
Em um dos quartos uma bela mulher vinda das ilhas do Pará, com seus cabelos dourados, o povo diz que era gringa era linda, o povo falava, não conseguiu sair das labaredas, seu corpo em chama foi consumido pelo fogo, e ela ainda teve forças de correr seminua para as bandas da Fortaleza.
Minha comadre diz que foi no enterro, deu muita gente, mas ela estava toda inchada,
Credo,
 Como a gente fica depois de morta repetiu.
Escutei muito tempo depois que ela voltou.
Mora agora ao redor da Pedra do Guindaste.
Dizem que já apareceu para muito pescador, dizem que corre sobre as ondas com um véu de fogo, e some feito um raio ao anoitecer.
Cruz credo!












“CONTOS QUE ENCANTAM...”


CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju


O MERGULHÃO FANTASMA.

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)
A Velha Pioneira balançava a cabeça como a buscar na memória, seu arquivo especial.
E com seu sorriso enigmático lembrou do Pássaro fantasma. O belo Mergulhãoabençoado por São José, dizia ela entre os dentes.
A maré teimava em bater nas pedras que circundavam a Pedra central, a doGuindaste, disse ela: que as versões contadas por seus antepassados, tinham contradições, disse que em uma delas, a Pedra foi cortada ao meio por um navio estrangeiro, em outra afirmou convicta que a Cobra Sofia, saiu de Santana, um município próximo de Macapá, e se apaixonou pelo santo e não foi correspondida que se enlaçou na pedra e a derrubou, noutra disse que um grande Pirarucujunto com um cardume de peixes bateram tanto na pedra que ela foi derrubada...
Enfim tem milhares de versões que cabe a cada um aceitar, resmungou.
E a Pedra do Guindaste continua imponente tendo ao topo o belo São Joséesculpido pelo português Antônio Pereira Costa.
Mas vamos lá repetiu, não tô demente.
Era uma bela noite de Lua cheia, o trapiche feito uma rua, e a imagem da Lua refletida sobre as aguas do Rio Amazonas, trouxe o maior, o mais belo e o mais inteligente dos Pássaros que conheci, disse ela.
UM MERGULHÃO DO ALEM!
Pescadores que atravessavam a maré se espantaram com o voo rasante do talMERGULHÃO, ele nem se parecia com um Mergulhão disse ela, de tão rápido, voava sobre as canoas que vinham para o Igarapé das Mulheres, as vezes descansava no braço do santo padroeiro da cidade de Macapá, em outras, ele mergulhava de bico no rio, e aparecia no espelho da Lua.
Égua disse ela.
E foi assim a madrugada toda.
Ele nem era preto, era de prata, as vezes reluzia tanto que dizem que era de ouro.
Sabe?
Tem muita gente que lembra dele.
Dizem que carregava nas costas o menino afogado,
Em outras estórias, dizem, repetiu, que ele puxava uma corda trazendo um defunto largado por aí, noutra ele vinha com a sereia, ela nas aguas e ele no céu...
Mas que ele apareceu, apareceu, repetiu.
Cruz credo.
De manhã, ainda tem um monte que é da sua família por ai.

(Pelas manhas na orla de Macapá-Amapá, centenas de Mergulhõesbuscam alimento no leito do Rio Amazonas, talvez apareça outroMergulhão fantasma por aí.)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CONTOS QUE ENCANTAM

CONTOS: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE

“CONTOS QUE ENCANTAM...”



CONTO: OS MORADORES DA PEDRA DO GUINDASTE
(A bela Pedra do Guindaste, secular no leito do Rio Amazonas, imponente, como fonte cultural da mitologia da Amazônia, tem milhares de mitos e lendas que povoam o imaginário popular)
Por: Neca Machado – Pesquisadora da cultura tucuju



O MERGULHÃO FANTASMA.

BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)
A Velha Pioneira balançava a cabeça como a buscar na memória, seu arquivo especial.
E com seu sorriso enigmático lembrou do Pássaro fantasma. O belo Mergulhãoabençoado por São José, dizia ela entre os dentes.
A maré teimava em bater nas pedras que circundavam a Pedra central, a doGuindaste, disse ela: que as versões contadas por seus antepassados, tinham contradições, disse que em uma delas, a Pedra foi cortada ao meio por um navio estrangeiro, em outra afirmou convicta que a Cobra Sofia, saiu de Santana, um município próximo de Macapá, e se apaixonou pelo santo e não foi correspondida que se enlaçou na pedra e a derrubou, noutra disse que um grande Pirarucujunto com um cardume de peixes bateram tanto na pedra que ela foi derrubada...
Enfim tem milhares de versões que cabe a cada um aceitar, resmungou.
E a Pedra do Guindaste continua imponente tendo ao topo o belo São Joséesculpido pelo português Antônio Pereira Costa.
Mas vamos lá repetiu, não tô demente.
Era uma bela noite de Lua cheia, o trapiche feito uma rua, e a imagem da Lua refletida sobre as aguas do Rio Amazonas, trouxe o maior, o mais belo e o mais inteligente dos Pássaros que conheci, disse ela.
UM MERGULHÃO DO ALEM!
Pescadores que atravessavam a maré se espantaram com o voo rasante do talMERGULHÃO, ele nem se parecia com um Mergulhão disse ela, de tão rápido, voava sobre as canoas que vinham para o Igarapé das Mulheres, as vezes descansava no braço do santo padroeiro da cidade de Macapá, em outras, ele mergulhava de bico no rio, e aparecia no espelho da Lua.
Égua disse ela.
E foi assim a madrugada toda.
Ele nem era preto, era de prata, as vezes reluzia tanto que dizem que era de ouro.
Sabe?
Tem muita gente que lembra dele.
Dizem que carregava nas costas o menino afogado,
Em outras estórias, dizem, repetiu, que ele puxava uma corda trazendo um defunto largado por aí, noutra ele vinha com a sereia, ela nas aguas e ele no céu...
Mas que ele apareceu, apareceu, repetiu.
Cruz credo.
De manhã, ainda tem um monte que é da sua família por ai.

(Pelas manhas na orla de Macapá-Amapá, centenas de Mergulhõesbuscam alimento no leito do Rio Amazonas, talvez apareça outroMergulhão fantasma por aí.)




quinta-feira, 15 de junho de 2017

CONTOS QUE ENCANTAM, DE NECA MACHADO

HISTOIRES DE LA RIVIÈRE AMAZON

MYTHES ET LÉGENDES DE L'AMAZONIE



« HISTOIRES DE LA FRONTIÈRE DE L'AMAZONIE COURS D'EAU »

Retours à son essence sur les bords des rivières et coupe manient l'Amazone.Revient au monde La moitié bercé par les marées, dans un va et vient, la mer au-dessus de la mer ci - dessous ( Marabaixo -. Danse folklorique des peuples afro en Amapá)
Retours comme la force forteresse séculaire de Saint - Joseph de Macapa, fief de tucuju, les gens forts dans le temps, briser les chaînes de l' esclavage, lanégligence et le manque de soutien à la culture et la diffusion de notre histoire.
Retourne avec la saveur de nos fruits régionaux comme Cupuaçu, Acérola, Mangaba, Pupunha, Tapereba, Açai, Uxi, Piquia, Manga ...



Retours comme la couleur soleil Tucupi, et le goût de l' açaï, comme la bouche tremblante des feuilles de Jambu.
Embryon D'UNE COLLECTION ET CONTES RELEITURAS , les enfants et lesadultes, qui ont l' intention de laisser aux générations futures une contribution.
·         MON PROJET SONT 10 livres (et je le ferai.) Il y a maintenant 10 livres que Coauteur publié au Portugal entre Lisbonne et Porto dans les années 2016 et 2017, avec des poèmes et des contes originaires de la frontière du fleuve Amazone.



·         MYTHES ET LÉGENDES, né le 18 CONTES
·         28 POEMS , l' âme et l' émotion paridos.
·         Né avec 125 pages d'un début où je FERAI UN LIVRE AVEC 300 PAGES, matériel doivent épargner comme un journaliste et écrivain.


MYTHES ET LÉGENDES, HISTOIRES DE LA FRONTIÈRE RIVER AMAZON

Un projet audacieux de poète tucuju NECA AX qui a été publié en 02 éditions au Portugal en Février 2017, dans une mise en édition séparée dans leurs pages, la simplicité des sagesse « des histoires » (re) prise en compte par de véritablesPIONNIERS contribuant au développement Amapá. Beaucoup d'entre eux aujourd'hui décédé, comme Sacaca Maître, Dona massif, Avhulu, Mobelino Lobato, Rat, Izabel Machado, Leolpoldina Machado, Joaquim Tiburcio Ramos, Tia Venina, Maître Peacock, Tia Bilo, fille de Maître Julião Ramos, blanc créole, Seraphio Yacinth, de milliers de vrais hommes et les femmes qui ont donné leur sueur pour magnifier un morceau, coincé dans les entrailles de la plus grande forêt, le fleuve Amazone et borde la plus grande eau douce du monde dans le monde, le fleuve Amazone.





MYTHES ET LÉGENDES, HISTOIRES DE LA FRONTIÈRE RIVER AMAZON

Sont des « histoires » populaires qui sonnaient comme un cri pour faire respecter la mémoire.
Les histoires et les souvenirs d'une crénelées pour la plupart ascendance africaine. PEOPLE
des histoires nées de l'imagination.
Histoires perpétué par l'émotion,
Les histoires qui apportent la mémoire de saveur,
Les histoires qui vivent une partie de l'histoire.
Les histoires dans des histoires et des larmes de nostalgie.
Les histoires, la poésie imbibés
Histoires de joie pure,
Histoires avec odeur douille,
Histoires comme cours des rivières,
Les histoires avec crainte et la peur,
Histoires pas de secrets ....
vécu et inventé des histoires,
Les histoires racontées.


« MYTHES ET LÉGENDES DE AMAZON AU PORTUGAL »
Publié dans deux EDITIONS

(CONTES ET POÉSIE BORDURE AMAZON RIVER)
RÉALITÉ -

2017 - PORTO-PORTUGAL
(Meilleure destination touristique EUROPE élu en 2017)
BIOGRAPHIE
(Ne pas laisser l' exhumation de mes restes à faire l' histoire, dans l' histoire dans la vie, SEULS ET AVEC COURAGE!)
                                 Neca Machado Porto-Portugal - 02,2017

Neca Machado (Militant culturel, altruiste en préservant les saveurs et lesconnaissances Amazon à travers les mythes et légendes de la frontière du fleuve Amazone dans l'extrême nord du Brésil, est directeur général, artiste visuel, baccalauréat en droit de l' environnement, la formation professionnelle Spécialiste, Amazon écrivain mythes, tirer plus de 100 000 photographies différentes, attribuées en 2016 avec note sur le travail du Brésil « Villes en échelle de gris » duconcours Urbs, classé à la publication d'un poème dans le travail national, « Sarau Brésil, » Nouveau 2016 poètes, chercheur de Tucuju Culture, nouvelliste, Cronista, Poétesse, co - auteur en 10 œuvres lancées au Portugal en 2016 et 2017, BA complet en éducation, Gastro-photo-journaliste, blogueur avec 25 blogs sur le web, 21 au Brésil et 04 au Portugal, Quituteira et designer de crochet.)
Courriel: nmmac@live.com

FAIT
·          Depuis plus de 40 ans , je collectionne CONTES dans l'extrême nord du Brésil à la frontière avec la Guyane française, et je suis la réalité d'un pays qui valorise son histoire, son peuple et ses manifestations, en fournissant le corrompu et corrupteur le détournement ils pourraient aller pour la culture, qui sont détournées à des fins personnelles, et j'ai réalisé tout au long de mes cinq décennies d'existence , le suintement des informations précieuses portées à la tombe par les vrais pionniers, et de nombreux étrangers qui ont aidé àdévelopper un morceau de l'Amazonie, contributions à leurs métiers, comme les Portugais de Vila Nova de Gaia à Porto - Portugal, Antonio Pereira da Costa, né en 1901.

·         Mais mettre l' âme de sang guerrier d'un peuple né dans les entrailles de la forêt et la plus grande forêt dans le monde, du poumon pulsant au monde.


·         Je suis né et AM amazonien . AVEC FIERTÉ BEAUCOUP!
·         J'ai appris à pas Regret,
·         J'appris que la détermination est la vertu et le mode.
·         J'appris qu'il n'y a pas de fatalité, il y a un chemin, et de cette façon , je suis QUE DASH.
·         Appris ADMINISTRATEUR que la vie est la planification.
·         J'AI RÊVES ET EUX n'a jamais abandonné.
·         J'ai trouvé BEAUCOUP MEDIOCRE sur mon chemin.
UN PROJET qui a travaillé, est né au coeur de l'Amazonie et a coulé à Vila Nova de Gaia-PORTO-PORTUGAL, pas par pure coïncidence, mais COURAGE , pour amener la Terre Pereira da Costa sueur, arracher une poétesse Cabloca vêlé dans le coin d'une Amazone unique, qui est le successeur de l' une des plus grandes femmes PIONNIERS d'Amapá. IZABEL MACHADO , je suis son héritier, pas hérité de son héritage, je suis son successeur, ont réussi leur compétence, leur courage et leur détermination.
NÉ AU COEUR DES AMAZON, MYTHES ET LÉGENDES DES RIVES DE AMAZON RIVIÈRE.
Embryon D'UN RELEITURAS COLLECTION ET CONTES , je veux laisser auxgénérations futures une contribution.
·         MON PROJET SONT 10 livres, et je le fais.
·         MYTHES ET LÉGENDES, né le 18 CONTES
·         28 POEMS, l' âme et l' émotion paridos.
·         Né avec 125 pages d'un début où je FERAI UN LIVRE AVEC 300 PAGES, matériel doivent épargner comme un journaliste et écrivain.
Choisissez d'être Poétesse,
J'ai choisi de vivre et de sentir la POÉSIE ALMA.
J'ai choisi d'avoir des racines aériennes, sans peur et croire en obstacles.

Mon rêve est RÉALITÉ!


quarta-feira, 14 de junho de 2017

TODAS AS FOTOS DE NECA MACHADO POSSUEM DIREITO AUTORAL




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